sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sobre meu lado mediano

Eu assumo meu lado mediano e desde então a gente convive bem. E é um bem para melhor, com leveza e picos de felicidade. Já não há espaço para pressão, mandei-a embora por justa causa. E deixei avisado na portaria: caso ela volte mostre o aviso colado na fachada “não aceitamos comparações”.

Eu sei o tamanho do meu lado mediano, não preciso de dedos apontados para lembrá-lo. Sei que ele é um gigante diante de uma menina, mas ela tem uma vida inteira ainda. E tenho dito: nada de receber caixas de ultimatos e sacos de prazos, um passo atrás do outro, direto para casa e cara nos livros. E pernas na estrada. E mercúrio nos joelhos. E experiências das cicatrizes.

Eu sei o tamanho do meu lado mediano e já preparei o tênis, por isto não me venha com teorias prontas, porque é na margem que eu me encontro. São das pegadas menos exploradas que eu trilho o meu caminho. É sem pressa e nos intervalos que entendo de tudo. É na rua, é no meio, é no cheio.

É na conversa com ilhas, com amigos, comigo. É me carregando às vezes, é me abandonando outras, é me reconhecendo. É no foco da busca, é na direção contrária, é no destino mutável, é na estrada de gente. É ao lado do meu lado, é na direção da minha vida, é na busca dos meus desejos, é na força para vencer os medos. É na certeza do meu mediano, é no perceber das minhas falhas, é na disposição para consertá-las, que eu chego. Eu chego.

Por Natália Oliveira

4 comentários:

Alvaro Vianna disse...

Que innveja que alguém com metade da minha idade tenha tanta maturidade. Bem acima da média.

Beijos, Natália.

Renato Marques disse...

Adoro este teu lado mediano. Excelente texto, Naty!!!

Wendell Fernandes disse...

A melhor que li até aqui.

Pensamento aqui é Documento disse...

Alvaro, querido! Espero que seja maturidade! =D

Beijo,

-

Rê!

=DD

Obaaa!
=D

-

Que bom que gostou, Fernandes!
=D

-

Beijos