terça-feira, 13 de julho de 2010

Menino do sorriso, do paraíso

Em todos os canais. Todos. O mesmo caso, a mesma morte, o mesmo desespero estampado na tela.
Eu já derrubei no teclado a minha angústia algumas vezes aqui. Já declarei minha previsão: a humanidade ainda se afoga em água salgada. É muita lágrima, diariamente e de enxurrada. E o nosso medo aos poucos ganha nome: Bruno, Mizael, Nardoni, Suzane, Lindemberg, entre tantos outros, que os novos casos nos ajudarão esquecer.
Na fila do supermercado, na sala da casa, nas mesas de cerveja e nos cantos da cidade o assunto chega e fica por tempo indeterminado. A dor enraizada petrifica as palavras, arranca do povo até a fé. A fé na alegria teimosamente perseguida e quem sabe conquistada. Na tristeza a descrença chega forte, rasteira já para derrubar. Salve-se quem puder!
Sexta-feira à noite é banquete para mágoa presente, porque é a hora que o ciclo fecha. O momento em que a cabeça tá livre dos deveres, mas a procura de se ocupar. Os pensamentos se apresentam, a realidade vem logo atrás, embutida em cada reflexão. Pontadas, levemente pontadas, mostram a conexão brilhante e dolorida entre alma e coração, cérebro e tudo isto. Inevitável.
Pensava em tudo isto, enquanto falava sobre outras coisas. Esperávamos pelo garçom, ele traria nosso refúgio em bandeja. Tínhamos escolhido uma mesa com quatro cadeiras, perto do parquinho infantil do restaurante. Algo no canto, diferente do que tinham nos sugerido. No salão vários pratos desfilavam por cima de nossas cabeças, a gente esperava. Tamborilando a impaciência nos dedos, te encontrei. Um vidro nos separava. Você no colorido, eu na escuridão da minha casca.
Comia pastel com papel e tudo. Em silêncio lhe perguntei: “às vezes viver neste mundo de grande é como comer folha amassada, duro de engolir, arranca água, sabe?” Você nem notava. Em algum momento me olhou e sorriu desconfiado, encostado em quem te protegia. Era pequeno de corpo moreno, não tinha mais que três anos. Com vergonha, eu pedia para entrar no seu mundo, mas senti minha passagem censurada. Talvez fosse pequena demais. Então você deitou o rosto no ar e o teu sorriso chamou a minha calma, acalmou a minha alma.
E a nossa esperança aos poucos ganha nome: menino do sorriso, do paraíso, ainda há.
Eu tenho sido mal representado por aqueles que não Me conhecem, mas não Estou ausente ou zangado (I Jo 4:16)pois sou a expressão completa do amor. Se deleite em Mim e Eu darei a você os desejos do seu coração (Sl 37:4)pois fui Eu quem colocou esses desejos em vocês (Fp 2:13)
Por Natália Oliveira

9 comentários:

Poemado disse...

A vida, às vezes, me parece uma ferida, um ralar de joelho constante...
Bom saber que toda ferida cicatriza da maneira mais simples.

Bom saber que há um menino do sorriso, do paraíso, para amenizar as dores da nossa vida.

Alvaro Vianna disse...

Se tudo der certo, vou ter dezenas de sorrisos destes a minha volta. Das poucas coisas que se contrapõem a toda aquela hediondez.

Beijos

Poemado disse...

Bom saber, também, que há no mundo pessoas sensíveis, com o dom de traduzir em palavras o sorriso do menino, do paraíso.

Rose Cianci disse...

"É muita lágrima, diariamente e de enxurrada. E o nosso medo aos poucos ganha nome...". Ai, ai, ai se não nos armamos com a fé em Deus, Criador e não atentamos nossos olhos ao lindo sorriso desses meninos - do paraíso...

Natália disse...

Rê,

é verdade. É um ralar constante, mas há o mercúrio, a cicatriz, o refrigério. Ainda há! =D.

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Nem tudo está certo, mas há o lado bom, o outro lado, o do paraíso! =D

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Quando a inspiração é bom a gente consegue.

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Rosinha,

verdade absoluta! É preciso o Papai, é preciso o sorriso, é preciso!

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Um beijo, queridos!

Daniel Savio disse...

Basta um momento para ser perde a vida, bem como se ganhar a vida...

Fique com Deus, menina Natália Oliveira.
Um abraço.

Pensamento aqui é Documento disse...

Verdade absoluta! Decisivo e preciosíssimo!

Beijos

Anônimo disse...

É bom viver...

Apesar da dor, apesar das lágrimas, apesar do sofrimento...

Sempre existirá um outro lado.

O lado, onde acharemos força, sabedoria, fé, paz, para sobrepujar a dor e sermos felizes!

Que consigamos perceber a vida, não só em "grandes" coisas e sim nas mais simples, como o menino do sorriso, do paraíso.

Que sejamos mais sensíveis!

Lindo texto!

Natália disse...

Do seu comentário faço uma oração! Amém! Amém!

=D