segunda-feira, 23 de março de 2009

Dá para respirar?

Um daqueles dias que você senta às 09h00 e levanta às 18h00 com a sensação que o dia passou rápido demais. Eu tinha muita coisa para fazer, por isso foi assim. Como diz um estagiário daqui, “quando a gente tá cozinhando o galo demora para passar, mas quando a gente pega no batente de verdade, passa rapidinho.” É, eu tive que concordar. Eu fiz um monte de coisas em tempo recorde, mas ainda ficaram dezenas para trás. Deixa para lá. Enquanto colocava as revistas no lugar, lembrava das tarefas que tomariam meu tempo no dia seguinte. Todas chatas e sem vida. Também, pudera. Quando a gente experimenta a cachoeira, nunca mais se contenta com a piscininha de plástico na casa da vovó. Desliguei o computador, dei uma última olhada na mesa, já arrumada, e lancei um “xau”. Atravessei o corredor longo, desci as escadas correndo, bati o cartão e com uma sensação estranha, costumeira e indescritível passei pelo portão branco. A rua, como de costume, estava movimentada, igual ao dia anterior. Trabalhadores apressados, senhoras desfrutando o ócio e comércios aos seus postos. Antes de chegar ao ponto, conferi o tiozinho da cana de açúcar, o menino do pastel, a garota do milho e tio do “tudo que você imaginar à venda”. Tudo igual, na mesma calçada. Cheguei ao ponto de ônibus e ao olhar pro céu quase escuro deixei escapar um sorriso. Lembrei daquele momento. Minha chefe havia pedido, então eu fui e conversei com ela, que me trouxe o Mateus. Ele sentou ao meu lado com o rosto moreno e infantil mais lindo que vi naquele dia. Ele com todos os seus 9 anos me esperava e de alguma forma eu senti que o esperava, também. Perguntei algumas coisas, de forma fácil, sobre inclusão digital. Ele respondeu. Tinha participado das aulas de informática. Perguntei outras, fugindo do assunto. "Tava fazendo o que? Tava legal?" Minha chefe me esperava para fechar o relatório, mas quem se importa? Passaram-se alguns minutos até que a gente chegou à última pergunta. “Você acha importante saber usar um computador?”, perguntei. E ele, levando uma das mãos cheias de cicatrizes pequeninas ao rosto, respondeu: "Ah, tia. Eu acho importante pq. ele é tipo um cérebro humano, pq. a gente encontra tudo que a gente quiser. Tira dúvidas. Por exemplo, se a gente ficar na dúvida se alguém matou o Papa e você quer saber se mataram ele ou ele morreu de 'parto' mesmo ai a gente entra na internet e já sabe." Ele falou assim, rapidinho, quase sem respirar. E eu fui para casa pensando, o que eu faço assim, rapidinho, sem respirar. Você senta às 09h00 e levanta às 18h00 com a sensação que o dia passou rápido demais. Muita coisa para fazer. Faz um monte de coisas em tempo recorde, mas ainda ficam dezenas para trás. Enquanto coloca as revistas no lugar, lembra das tarefas que tomarão seu tempo no dia seguinte...Nem dá respirar. Nem dá para imaginar. Nem dá...
Por Natália Oliveira

2 comentários:

Karina disse...

Hoje ao ler seu texto, tive a certeza que mais uma colega de trabalho talentosa e humilde estará ao meu lado. Posso dizer que tudo o que você precisa para exercer a profissão você já possui, o carisma ao escrever um texto, uma boa redação e claro a desenvoltura necessária para não tornar o assunto chato ou relevante d+! Parabéns. Você vai enfrentar um mundo de leões, assim como em qualquer outra profissão, mas saiba que ao seu lado existe uma pessoa toda arranhada das patadas e disposta a lhe ensinar e lhe ajudar a não tomá-las.

As dúvidas irão surgir, o medo por consequência, a expectativa de saber e na hora de fechar uma pauta ver que não sabe realmente de nada e que tem meia hora para entregar 5.000 caracteres será uma coisa normal e corriqueira...rs mas relaxa... quando vc estiver assim, pega o tel, me liga e fala... tenho que escrever sobre abobrinha e nem sei se dá no mato ou em árvore... eu te ajudarei... pelo menos te darei o lead...rs

Beijos e parabéns!

K

Emerson Viana disse...

Mais um dia da Natália...haha... Fico feliz em saber que vc é um ser pensante...kkkk...brincadeira... É isso aí. E quando vc menos esperar, em um piscar de olhos, já estaremos no Campus I, em pleno sábado, trabalhando....rs... È a vida...