terça-feira, 14 de julho de 2009

Quantos é?

Minha mesa está cheia, mas ainda assim não faço nada do que me pedem. O feriado não me preparou para uma segunda-feira de decisões, não pela manhã. No auge da minha preguiça, abro meus e-mails e apago as mensagens antes de contemplá-las, não quero fazer nada, não neste momento.
Deixo meu olhar se perder nas estantes cheias de fitas da TV, onde trabalho. Sei que as pessoas vão e vem, pois ouço um barulho de passos apressados aqui, mas nada me desperta, nada me faz voltar. Apesar de descansar meus braços na mesa, meu corpo balança em outro lugar. Viajo no dia de ontem, no exato momento em que não estava aqui. Aquela palestra.
Cheguei à sala espaçosa com um pouco de atraso, as pessoas já ocupavam as cadeiras posicionadas de frente pro palco. Em busca de um lugar para sentar, me guiei por alguns pontos azuis perdidos num canto, logo fiz parte do mar de gente. O homem de ralos cabelos brancos e óculos redondos subiu no ponto mais alto daquele lugar que, naquele momento, mais parecia a ponta de um barco. Ficamos em silêncio até a voz ressoar.
Aprendi muitas coisas naquela noite, entre elas, uma ainda me bate no peito. “Hoje, alguém que vocês não conhecem se mistura a mim e fala para vocês. Esta pessoa é o meu avô, que me ensinou valores inegociáveis”. As mãos brancas e grossas mexiam no ritmo de sua garganta e as ondas balançavam. “Deixe sua vida em outras pessoas. Trabalhe pela vida, já que dessa forma ela pode se eternizar. Não existe coisa mais triste do que não ensinar, nao compartilhar.”
Minha mesa está cheia, mas ainda assim não faço nada do que me pedem. Viajo no dia de ontem, no exato momento em que não estava aqui. Aquela palestra me fez perguntas e eu me coloco hoje a responder. Quem escreve neste blog além de mim? Quem me motivou a estar aqui? Quem faz parte de mim?Eu sou eu e mais quantas pessoas? Além do sorriso da minha mãe e da força do meu pai? Quantas sou? E você, sabe quantos eus é?
Ao Pastor Ricardo Gondim.
Por Natália Oliveira

10 comentários:

sblogonoff café disse...

Ei!
Bonito isso! E perigoso também.
Porque nós somos um pouco de bem e um pouco de mal, e seria muito bom se deixássemos os melhores lados no mundo.
Eu sei que trago em mim muito da minha mãe, do meu pai, dos meus irmãos, dos meus sobrinhos, de alguns professores e ainda sim continuo sendo a michele. Talvez as coisas não venham a nós por osmose, mas por amor. Os exemplos dos outros, a vida dos outros, o que aprendemos, o que admiramos,os valores, o que absorvemos sem perceber. De repente, o mundo faz parte de nós e nós do mundo.
Eu acho isso belo, pois podemos nos completar!
E isso, acontece tão naturalmente em nossas vidas...

Bom, sopro de eves, moça!

Paulo Braccini disse...

agradecendo e retribuindo a visita ... muito legal o seu recanto ... este seu post é incrível mesmo ... nós e nossas contradições ... o bem e o mal se complementam ... a vida é assim mesmo ...

bjux

;-)

Éter Na Mente disse...

Quantos somos? ótima questão você levantou. Nunca parei para pensar nisso apesar de ser incoerente por natureza. Talvez meus "eus' se conflitem entre si. rs
Sejam quantos forem seus "eus", todos são talentosos.

beijos querida.

Anônimo disse...

Nossa, que filósofa!
Você me lembrou Sócrates: "Só sei que nada sei...". Mas o caminho é esse mesmo: o da "fusão" com o próximo. Bjus, querida. Você continua escrevendo maravilhosamente bem!

Daniel Savio disse...

Acho que somos a soma daquilos que aprendemos e filtramos, em outra palavras, somos agrupados de pessoas e experiência, mas que invarialmente forma uma pessoa única...

Retribuindo a visita, mas não estranhe de sumir, hua, kkk, ha, ha, pior que é sério.

Fique com Deus, menina Natália.
Um abraço.

Denise disse...

Uma mistura de gentes....antepassados historias,momentos.

Somos tantos,e falamos ,creio eu,por todos nossas mais caras recordações.

beijos
De

Pensamento aqui é Documento disse...

É verdade, Mi!

É realmente belo.

É um maneira de eternizar a vida e isso realmente importa.

-

Paulo!

Obrigada, você!

O bem e o mal.

Ainda não chegamos no paraíso, né?

rs

-

Éter!

Os seus "eus" se completam e formam uma gostosa contradição. Você é do tipo raro, me lembra Dostoiévski.

-

Anônimo - Rô!

Esse blogger às vezes dá uma canseira, né? rs.

Sócrates? Gostei!

rs.

-

Menino, Daniel!

Não suma.

Quero um pouco mais de você!

-

Verdade, Denise!

Somos o que vivemos.

-

Obrigada pela presença, queridos. E antes que batam a porta, pensem comigo.

Se somos uma mistura de muitos,não somos originais?

sblogonoff café disse...

Eu dizia que a originalidade está em copiar a coisa certa!! Brincadeira!

O ser humano precisa de paradigmas para se definir. Talvez nossas escolhas fossem outras sob outras condições geográficas, de atmosfera ou pressão. Será que eu teria certos posicionamentos se tivesse nascido na China ou na " Conchinchina?!". A mesma coisa com as pessoas que nos marcam. Não somos robôs. É preciso ter algo dentro pra aceitar e acatar os valores. Mas tlvez eu fizesse escolhas diferentes se não fosse o que aprendi com as pessoas. No entnto, a escolha é nossa e as consequências são individuais. É isso que nós dá a individualidade. Mesmo em sociedades comunistas, onde todos seguem um modelo único, cada um ali ama diferente, entende diferente, sofre diferente.
Alguns sentimentos são padrões, algumas reações também, certas histórias de vida não parecem mera coincidência, mas não acho que por isso deixamos de ser originais. Qual seria o conceito que adotaríamos para discutir a originalidade? A repetição, a criação de um comportamento sem precedentes? É! Alguns são mais iguais que os outros!Rs! O mundo é velho e podemos repetir sim. Mas somos únicos.
Disso eu tenho certeza.
Até irmãos siameses!!

Sopro de Eves!

Daniel Savio disse...

Se eu não sumir, não sou eu...

Hua, kkk, ha, ha, brincadeira com um fundo (infelizmente) de verdade.

Fique com Deus, menina Natália.
Um abraço.

Pensamento aqui é Documento disse...

Tem razão.

Até pq. não copiamos igual, certo?
Dentro de mim uma cópia tera um espaço diferente do que terá em você.

Somos uma mistura de referências adaptadas. Ainda que copie modelos, eu ainda serei a Natália.

É, é isso ai!

Adoro cabeças pensantes.

-

rs.

Tá bom, eu aguento!

rs

-

Beiiijos