domingo, 26 de abril de 2009

Casinha no Sertão

Lembro que eu estava feliz e que acordei, ouvindo o barulho que o bule fazia. Pulei da cama, cai nos braços da minha mãe e logo estava tomando café preto com bolo de fubá. Respirei fundo, senti o cheiro de mato molhado, cortei mais um pedaço de queijo e sai correndo porta afora. Meus chinelos ficaram para trás, o sorrido do meu pai, que me olhava pela janela de madeira, também. O vento batia em meu rosto e me dava a sensação de frescor em meio à temperatura quente. A poeira subia e, em alguns momentos, tomava conta dos meus lábios. Depois de alguns metros cheguei a casa dela, que ao me ver abriu os braços. Desviei das árvores de frutas, das gaiolas vazias e me entreguei ao abraço. Enquanto matávamos a saudade de um dia, as galinhas nos cercavam. Elas batiam as asas. Percebemos o convite e logo entramos na roda de dança. Nós, elas, os periquitos, vaquinhas e bezerros. Mexemos as mãos e os pés no ritmo das águas da cachoeira. Já saciadas de alegria deixamos o quintal. Entrei na sala pequena, cheia de cadeiras de madeira. Ela entrou logo depois com alguns pedaços de giz. Os seus dedos ágeis se encarregaram de passar o conteúdo na lousa improvisada e eu, como de costume, enchi as folhas do caderno colorido com desenhos de seu rosto. A bronca risonha veio logo, eu precisava prestar atenção, mas não conseguia, era bom demais para ser verdade. Aquela vida era boa demais, SIMPLESmente boa demais e a única coisa que eu tinha vontade era de eternizá-la. Depois de algum tempo o rádio relógio tocou, avisando que era hora de voltar. Ela sorriu, eu também, era um sinal. Caminhamos até a bicicleta que repousava junto à cerca, que protegia as margaridas e as rosas. A noite já tinha caído, o tempo estava fresco e bem azul. Pedalamos devagar, permitindo que as borboletas amarelas nos encontrassem e tocassem os nossos rostos. Ao passo que movimentávamos as pernas vagarosamente cantarolávamos algumas canções sertanejas. A plantação de alface estava há dois passos de nós, sinal que a minha casinha estava a três. Descemos. Dei um beijo melado nela e ....Acordei. Era SIMPLESmente bom demais para ser verdade. Por Natália Oliveira

2 comentários:

Éter Na Mente disse...

Mais um lindo post. Sua sensibilidade é única. Engraçado q estava escrevendo um conto q tinha mais ou menos a mesma proposta. Mas depois de ler o seu, tão rico e belo, vou engavetar o meu rsrsrs

Abraços moça.

Viviane Moraes disse...

Muito lindo o texto naty..
Bem que nossos sonhos podia ser realidade..

=/