sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Existência

Passados 14 dias do ano novo, digo: 2010 foi um ano bom. Consegui olhar para dentro de mim mais de uma vez e dessas visitas ao interior nunca voltei de mãos vazias. Em uma delas trouxe as armaduras usadas diante de pessoas tão frágeis quanto eu. Trazê-las à margem me custou um pouco, eram pesadas e machucavam meus braços, mas mesmo assim, bravamente – ainda que no momento me sentisse fraca– persisti.
Jogá-las no lixo não me pareceu difícil, doloroso mesmo foi perceber que, mesmo com o corpo nu e sem estoques, ainda carregava na pele a proteção. Arrancá-la encharcou meu vestido de lágrimas e o meu coração de vazio. Por um tempo, que me pareceu infinito, senti o chão desprender dos meus pés, mas sobrevivi com toda a humanidade que me cabe, caindo, ralando os joelhos e curando-os com merthiolate e band-aid.
Hoje consigo resistir às capas de super-herói, mesmo quando estão em liquidação, e mandar meus pensamentos acusadores para uma colônia de férias, quando passarem dos limites. Posso ouvir meus gritos internos, mesmo quando o barulho exterior é alto e me respeitar, mesmo quando o mundo prefere nomear esse gesto de egoísmo. Consigo me enxergar claramente, sei das minhas rosas, mas também reconheço meus espinhos e é nesse bosque que passeio em busca de respostas para a minha doce, cítrica, confusa e pulsante existência.
Por Natália Oliveira

9 comentários:

s2...Ná...s2 disse...

Interessante...como em meio a fraqueza nós conseguimos ser fortes.
Belo Post!

Analina Arouche disse...

Que lindo, Naty! No final pareceu uma plantinha! Somos mais que humanos, somos terra, somos ar, somos natureza e toda natureza tem sua adversidade.
Abraço, moça Natália!

Anônimo disse...

Em 2011 pegue leve com você. Não coloque sobre seus ombros a necessidade de ter que resolver os problemas de todos, ser sempre maduro e sábio, jogue isso fora, viver assim é muito pesado, assuma suas limitações. Coisa boa é poder dizer: não sei, não entendi, não consegui... Villy Fomin
Em processo de desconstrução para construir, afinal o solo aqui está cheio de entulho... rs
Te amo
beijos Flá

Nando Jesus disse...

Nossa existência é algo incerto. Se esperamos em Deus somente nessa vida de fato somos os mais miseráveis da Terra, como afirmou o apóstolo Saulo de Tarso.
Aprendamos à cada dia com nossos erros e acertos e não tenhamos medo do novo.
Parabéns pelo texto, Naty.
Beijos.

Rose Cianci disse...

"... e mandar meus pensamentos acusadores para uma colônia de férias, quando passarem dos limites." - acho que este é um dos principais segredos e, aproveite e desfrute deste maravilhoso jardim à sua volta.
Bjus.

Pensamento aqui é Documento disse...

É, Ná. É interessante, mesmo. O que me chama a atenção também é que a ausência da fraqueza não significa força e sim a vontade de se levantar, mesmo em meio à fraqueza.

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E graças a Deus por isso, né Aninha?

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Adooorei, Flá! É isso, exatamente isso! -=). E vamos juntas nessa tarefa doce e árdua de tirar os entulhos e reconstruir! =)

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Aprendamos, Fê. Que assim seja!


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Aproveitarei, Rô!

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Beijos, queridos.

Daniel Savio disse...

E com isto você fez uma grande faxina na alma para este ano só guardar coisas boas nelas...

Fique com Deus, menina Natália.
Um abraço.

Johnny Nogueira dos Santos disse...

Parabéns pelo Blog!!! Você escreve muito bem! Muito auto conhecimento e equilíbrio para a srta. este ano! Abraço!

Natália disse...

Exato, Dani!

Tirando o que sobra, sobra espaço para o que falta, =)

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Oi, Johnny!

Obrigada, querido!

Um beijo