quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Vital

Por mais convicta e ideológica que eu seja, é vital para minha existência um espaço para a dúvida. Preciso – e precisar é além de desejar – deixar um “ou não” caminhar bem do ladinho da certeza absoluta. Dou o meu melhor no que me proponho, mas não me iludo, eu posso renunciar ao meu melhor sonho a qualquer momento por puro prazer de escolher de novo.
Sou capaz de fazer escolhas e defendê-las até a esquina da mudança de ideia, de plano. Por mais decidida e consciente das minhas decisões, não deixo o alimento do meu lado incerto faltar. Ele me ajuda a saber que os ultimatos são perigosos e que devo manter a distância necessária para não me envenenar. Vida é movimento, dizem por ai, e é nele que eu me esbaldo.
Não sufoco as ideias dos meus milhares jeitos e nem repreendo suas vozes, suas existências são tão necessárias quanto o ar. Eles tão vivos em um dos meus lados insistem em abrir a porta do caminho ainda não explorado. Nem sempre sigo suas trilhas, mas a calma inunda só de saber que a qualquer momento posso voltar. E eu volto porque não sou uma, sou muitas e todas querem me trilhar.
Não levo jeito para viver amarguras só por medo de olhar para atrás. Eu vou e volto, subo e desço, giro, me transformo, me encaixo e entro para sair e saio para entrar. Tudo para ver de qual maneira é a minha, é a melhor, é a que vai me agradar. É vital.
Por Natália Oliveira

15 comentários:

sblogonoff café disse...

Sabe...
Tenho pensado nessas coisas porque tenho me deparado com muitas escolhas importantes pra fazer na vida.
O absoluto pra mim é um ser mitológico que não tenho certeza se existe em humanos!!rsrs
Todavia penso que mesmo metamórficos, devemos ter uma convicção mínima do que vamos fazer, conhecimento de quem somos.
Saber ao menos que somos mais tendentes a essas escolhas do que àquelas.
Sou hesitante e tenho sofrido muito por causa dos meus “ou não”. Considero sim que deve existir o espaço para a dúvida. Acredito e defendo o direito de voltar atrás quando fizermos as escolhas erradas. Mas um mínimo de firmeza deve haver, porque nossas escolhas acabam por envolver outras pessoas que podem se ferir com nossa inconstância. Não dá pra dizer “eu te amo, vamos nos casar”, fazer planos, começar a construção da casa, fazer os convites e depois mudar de idéia e dizer “não te amo, não quero mais viver com você”, e depois voltar, pedir perdão e dizer “vamos nos casar sim”.E ainda desistir no final...
Isso até pode ser feito, mas desgasta. A gente acaba perdendo a confiança do outro, dos outros, por sermos tão flutuantes.
A vida é movimento, mas os excessos são perigosos.
Que saibamos encontrar o caminho do meio nessa busca por quem somos e fazermos nosso melhor no mundo!!

Mulher Vã disse...

Assunto interessante!

Vez por outra nos debatemos nessa questão e sabe duma coisa, acredito que ter certezas ou duvidas é questão de escolha. hehe

Não vejo um padrão correto a seguir, o certo a fazer, cada caso é um caso, ora! Penso que a diferença está na forma em lidamos com nossas escolhas. Se vez por outra, ficamos oscilando no "talvez, quem sabe" "sim, não", "caixa de fosforo", daí pronto finalmente decidimos e se de repente sarmos que não era bem aquilo que queriamos, o que tem voltar atras e mudar de ideia? Porque se para uma "decisão boa" aparecer precisa passar por um turbilhão de vais e vens, por que não? Não vejo mal algum. Por outro lado, se somos alguem que demora a fazer certas escolhas e ficamos pairando no muro da indecisão por um periodo e que, de repente encontramos a resposta e não a largamos mais por nada dessa vida, não vejo porque ser ruim.

Mas tem outro porem, e que foi até dito pela Michele, temos de ter na mente o poder de nossas decisoes e como podem atingir diretamente as decisoes e escolhas de outros. Ter empatia seria vital nesse aspecto.

Sim, a vida é movimento, e o que a move são as duvidas, escolhas e certeza incontestaveis, ou não. Isso que nos faz crescer, querer ser melhores. No mais, é decidir com sabedoria, ou pelo menos tentar.

É um troço, o dia da gente já começa com uma decisão: "vou abrir ou não os olhos", e depois as escolhas da roupa etc..etc..até a hora do almoço, almoço agora? Talvez. Sins, nãos, e talvezes que arranca os meus cabelos e como se fosse praga. Decisoezinhas que debatem com decisoezonas do "vou lavar o cabelo hoje?" ao "vou ou não pra cama com ele?"

É a vida, é bonita é bonita. Ela movimenta e as vezes sapateia feito bailarina desengonçada. O jeito é tirar pra dançar, né?!

Beijo!

sblogonoff café disse...

Relendo o post da Naty, percebi que posso ter repetido o que ela já sabe.
A dúvida é um benefício sim.
Porque somos imperfeitos e o tempo é que nos fornece os meios para as decisões serem tomadas. Para nós é até perigoso ser inflexível.
Porque a gente vai errar uma hora. E seria teimosia sem tamanho avançar no erro só pra não voltar atrás.
Rsrs!!
Como eu agora!!! Retornando no mesmo post!

Daniel Savio disse...

Se questionar faz evolução mais facil...

Fique com Deus, menina Natália Oliveira.
Um abraço.

Mulher Vã disse...

Rá!

Vim re-comentar porque reli meu texto e encontrei êni zerros de portugues!! Além duma opinião oscilante e cheia de sim, não, talvez.

Cáspita!

Resumindo todo o coreto, é o seguinte: Não importa como serão suas decisoes e escolhas na vida ou se ficará pairando em nunvens brancas de incerteza, o negócio é ter ciencia de seja qual for sua postura na vida, ela algum resultado, ação e reação, saca? [aprendi essa parada onteles!]

Pronto, fechei o fórum de discussão do post. Pode fazer outro, Naty!

[smiley emoticon piscando sacana]

sblogonoff café disse...

Que fazer outro post...
Cáspita!!!
Ela nem comentou o nosso comentário ainda!!!

(Naty, hoje nós viemos tomar café aqui no seu pensamento!!rsrsrsrs)

Mulher Vã disse...

Então ta...abro novamente a discussão..

Se uma pessoa me dissesse: “eu te amo, vamos nos casar”

Fazer planos, começar a construção da casa, fazer os convites e depois mudar de idéia e dizer: “não te amo, não quero mais viver com você”

E depois voltar, pedir perdão e dizer: “vamos nos casar sim”.

E ainda desistir no final...
--

No mínimo eu mataria essa cria infeliz!!!!

Alvaro Vianna disse...

Fechou nada. Deixa não, Natália.
Essas discussões sobre escolhas estão se tornando recorrentes. Legal que não preciso nem pensar. É só repetir o que escrevi no outro lugar.
Brincadeira. Mas me lembra o personagem principal de "A insustentável leveza do ser", que gastava muitos neurônios e várias páginas do livro pensando nas consequências dos seus atos. Na cadeia de acontecimentos a partir de um ato banal.
Algo mais ou menos assim: eu, Alvaro, tinha blog há dois anos com visitas esporádicas de alguns poucos amigos. Um dia descobri que uma certa pessoa tinha um blog e achei caminho para reencontrá-la por ali. Deixei recado, mas também vi que tinha seguidores inscritos, que era algo que eu nem sabia que existia. Encontrei ali o blog da Carla. Lá me encontrou a Michele e eu encontrei a Vã. E a Vã me apresentou você. E hoje estamos aqui os quatro elucubrando sobre o sexo dos anjos. Como se a vida não fosse intrinsecamente uma grande mesa de bilhar em que as bolas tomam rumos conforme a intensidade das muitas e imprevisíveis pancadas que recebem.
Mas há que se celebrar esse encontro único, incluindo o menino Daniel, que não tenho o prazer de conhecer, mas o encontro sempre aqui e ali.

Beijo, Natália.

Mulher Vã disse...

/\
||

Uai! Com quem esse menino ta aprendendo a ser ironico?!

Hehehehe

É mesmo né, Alvim, pra que ficar se debatendo tanto né? Mas veja, se a vida é uma imensa mesa de bilhar, há sempre um ou outro segurando o taco pra encaçapar as bolas. E voce, confia no seu taco?? Hehehehehehe

Beijo pro ceis tudo!

Natália disse...

uhauhahuauhahuauhuahuhauha. Vocês são maravilhosos! Tava trabalhando, por isto minha ausência durante este tempo todo. Antes de qualquer coisa, quem mandou vocês morarem tão longe de mim? Isto valeria certamente um suco numa mesa de bar, certamente. Mãos aos teclado.

*

Mi, eu vou te dizer que eu deixei de escrever uma observação, se assim o fizesse ela teria justamente as mesmas palavras, na mesma ordem, que você me escreve no primeiro comentário. Inconstância, para mim, é sinônimo leve de irresponsabilidade, porque quando você decide outras pessoas compram sua causa e organizam suas vidas a partir dela, consequentemente desabam a cada mudança. Sou orgulhosa e pouco maleável com tudo que encaro como minhas verdades, estas são minhas rochas, a caixinha que segura a minha identidade, como você bem menciona. Concordo em gênero, número e grau, é preciso saber quem és para mudar sem se perder em si e - o pior - levar os outros com você.

Portanto o "ou não" surge numa outra esfera, numa outra Natália - várias me habitam. A dona dela me garante a todo momento que eu não sou uma coisa só. Eu posso passar noites em claro pensando em melhores formas de fazer o meu TCC numa boa, se eu puder pensar também no mesmo instante que a qualquer momento posso abandoná-lo e viver de vender suco na praia. O "ou não" é necessário, vital para mim, não porque o sigo sempre, mas porque ele não me deixa pensar em fim da vida caso tudo que eu penso não dê certo, saca? Ele me afasta dos ultimatos, me deixa ser várias numa só. Trata-se de algo que acontece muito mais dentro do meu "infinito particular", lembra a música, do que fora nas minhas relações. É algo que me permite olhar para vários ângulos, mesmo quando as circunstâncias me fazem lutar por um só. Não sei se me faço clara.

E por fim, o exemplo - ou história real do casamento - encaro como inconstância, que para mim é sinônimo leve de irresponsabilidade.

Acho que para voar é preciso manter os pés no chão, são eles que nos dirigem, que nos seguram.

*

Vãzes.

Concordo que ter dúvida e certeza é questão de escolha, mas para escolher entre uma e outra eu preciso sufocar, não? Em meio a um monte de dúvida eu decido ter certeza sem ter, como é que faz? Talvez seja uma maneira simplista de raciocinar, desculpe a leigalidade, neologismo, fato. uahuauhauha. Conversava com uma psicologa um dia destes, ela me perguntava o que era fracasso? Será que podemos falar em fracasso?, insistia. A resposta concluída tá impressa nos vai e vens que você bem disse. Se para eu conseguir chegar a uma certeza, 20.000 dúvidas me habitarem que mal tem? Só vale frisar a responsabilidade com a vida das pessoas.

*
Mi.

Perigoso pro inflexível, pro flexível demais, pro meio termo há seus riscos também.[A intenção não era rimar.] Viver é erro e acerto.

*

Bingo, Dani!

*

Vãzes.

huahuhuauhauhauah

Saco e concordo!
=D

*

Mi

Adorei a visita, mesmo!
=D

*

Álvaro.

É um ótimo ponto de vista. A humanidade tem sede de controle, somos sedentos de previsão, por isto tentamos racionalizar a vida como se ela fosse um jogo. Acontece que há coisas possíveis disto, outras simplesmente não. Um cara que é camelô grande parte da vida pode passar o resto dela em profissões deste gênero ou virar o Silvio Santos! uahuuhuhauhauhauhauha. E ai eu te pergunto, quantas pessoas escolheram o caminho do homem do baú e o que conseguiram foram comprar uma telesena com o dinheiro do pão fresco? A gente escolhe a todo tempo, mas nos escolhem também. E que bom que nós todos escolhemos ter blogs para um dia falar sobre escolhas e em certo momento escolher comentar, né, não?

*

huahuauhauhahuuhuauah. Será que as pessoas confiam em seus tacos dependendo de quem segura os outros tacos? Deu para entender?

*

ahuhuahuahuahuahua

Vocês fizeram uma Naty feliz!

Beijo na ponta do nariz!!!

PS: Me perdoem se a história do casamento é verídica, mas é preciso pensar bem antes de escolher a igreja.

Natália disse...

Vãzes![É maior legal o som deste apelido, tentaí.]


"Talvez seja uma maneira simplista de raciocinar" - Minha, fato!

Mulher Vã disse...

Hahahahahaha!!

Tentei e parece que to com o nariz entupido!

Beijo,Naty!

Juci Barros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Juci Barros disse...

Altamente filosófico!
http://compromissocomoacaso.blogspot.com/

Pensamento aqui é Documento disse...

uhahuahuahuahuahuahuahuhua

Isto mesmo. =D

huahuahuahuah

Beijos, querida. =D

-

Juci!

Gostei da sua visita!

Vou dar uma passadinha l[a no seu canto.

Beiiijos