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terça-feira, 20 de julho de 2010

Dia do Amigo

Aos meus amigos agradeço o ano inteiro, despretensiosamente em horários diferentes, em dias sem data. Eles sabem do meu amor infinito, tanto que faço questão de declará-lo sempre, mas hoje...
Hoje... No dia de hoje, as minhas palavras são daqueles que me deram todas as letras num dia só. Pessoas que passaram pela minha vida e cuidaram da minha alma, acalmaram o meu desgosto, seguraram as minhas lágrimas. Algumas cuidaram da minha fome, outras da minha falta de dinheiro e há quem pintou o colorido no escuro da minha casca. Outras enalteceram o meu nome e sorriram um sorriso impagável quando deixei moedas. Pessoas que me ensinaram geografia sem mapas, pedidos de beijo sem fala, dignidade no corpo vendido. Gente que me chamou de anjo. Gente com G e coração maiúsculos.
Bondosos por despertarem os mais belos sentimentos e audaciosos por me apresentarem os medos escondidos, gentis por me ajudarem tratá-los. Dividiram-me histórias, me convidaram para um mundo doloroso, mas seguraram os espinhos com as mãos para que nenhum deles me machucasse. Tomaram chuva por mim, me privaram do perigo. E no perdido me disseram que São Paulo não é para ser conhecido, mas do mesmo jeito deram um jeito de me achar. Até me pediram em casamento, acarinharam a minha rosa, me apresentaram colar de bolas com gosto de infância. Me protegeram em baixo de asas feitas de uma fragilidade forte.
Aos que me apresentaram a amizade num dia e me deram certezas de toda uma vida, ainda há gente de verso bonito. O Dia do Amigo sempre foi de vocês.
PS: Às senhoras da minha humanidade: Creusa, Diná, Natália, Velinha do óculos, Moça que vende o corpo, Fernanda, França, candidata à mãe, dona do colar de bolas. Aos senhores do meu sorriso: Felipe, moço da carroça, dono das muletas, parceiro da loucura, guardião da paz, menino do paraíso, Enoque, seu Vicente, senhor da salada, Antônio.
Por Natália Oliveira

sexta-feira, 16 de julho de 2010

À Dona dos Cachos Dourados

Você tem uma mania horrorosa de me olhar com olhos de lupa. Sempre me fazendo maior, mais competente, mais generosa, mais tudo de nada que sou. É uma mania insistente de potencializar qualquer momento bom em realmente muito bom. E claro que com bombom fica melhor ainda, porque você pode colá-los nos dentes e rir de todos os estereótipos de beleza que insistem em te convencer que o bonito é ser o tal do tipo ideal. Ah, com você não. O bonito para você se mede no tamanho do coração e isto ninguém pode ver e nem é uma lógica fácil de entender.
Na verdade, fácil de entender você nem sempre é. Ora ri com o estômago, ora chora com as tripas de fora. Intensa como a vida deve ser? Não sei, mas ser com você, já que é para ser, que seja direito! Você é!De pijama e tudo, no mar. De pés sem sapatos, de molequice em baixo do braço, de lordose e unhas roídas, mas de verdade! Com verdade transparente! Quem vê você, vê você. Frente e verso, fora e dentro dá no mesmo. E por falar nisto, injustiças fora, transformações dentro, assim é você.
Você de cabelos de criança, de olhos vivos e de um desejo meu. Se eu fosse mago a transformaria num cristal para apresentar para todo mundo um pedaço meu, o pedaço cristalino meu. Você não me explica, mas eu sei que é a sua doce essência que dilata os seus olhos quando olha o jeito meu. Você, minha amiga, minha parte, minha criança bonita. À minha Flávia, a menina de cachos dourados, a minha.

Por Natália Oliveira

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Medo de Escuro

E de repente, percebi que perdi o medo do escuro. De repente andei na rua, sozinha, sem companhia alguma. De repente esqueci que tinha medo dos boatos de assalto e me vi no ônibus mais de 11. De repente senti que tinha uma lanterna dentro de mim, algo pequeno impresso em minha alma mas que, contradizendo o tamanho, iluminava a coragem escondida por tanto tempo.
De repente descobri que podia ser sozinha na vez da lua e poderia encontrar o verdadeiro significado de estar viva, sendo livre. De repente descobri que apesar do medo, era melhor estar solto do que preso e que nem havia tanto medo, mais. Podia acelerar o passo, mas prefiri contar com a ideia de que trabalho não tem cara nem lugar, a maldade também não. Eles podem ser convenientes em qualquer hora e numa delas posso estar, na hora do sol ou das estrelas.
Por isto não cabe tantas fugas assim. Fugir é escapar da vida e, mesmo que não seja esta minha morada eterna, não quero construir muros entre eu e o mundo.
Sei que de tudo, a sua luz eternizou a mais bonita forma de viver em mim e hoje eu posso voltar a ver a lua de perto, da rua.
Ao meu eterno sol,
Por Natália Oliveira

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Amiga de Mim

Eu tenho amigos quarentões que se divertem com bolas de chiclete e comem coxas de frango com a mão. Às vezes tem as mesmas aflições que eu, às vezes queixas infantis, por mim superadas a tempo. Tenho amigos mais novos que me ensinam coisas que demorei anos para entender e que me trazem a maturidade esquecida em alguns cantos da sociedade. Tenho amigos com a mesma idade que não aparentam a idade, outros nascidos a pouco tempo que já mostram linhas de maturidade.
Eu tenho amigos que mais brigo, outros que mais brinco, outros que mais converso. Tenho amigos de conversas fúteis, outros de profundas e filosóficas e outros que são tudo, tudo que preciso e que dispenso. São completos. Alguns moram longe, mas mesmo assim os vejo com frequência, alguns de tão perto escapam dos horários, dos combinados. São amigos corridos, de horários, de tratos. São amigos que podem marcar e desmarcar quantas vezes precisarem, são suficiente amigos para isto, no final das contas a gente sempre entende. Aliás, às vezes sou eu que escapo.
Eu tenho percebido que tenho amigos de todos os tipos, é tanta variedade que nunca me falta um sorriso, um abrigo, um abraço. Mas ando em busca de alguém diferente de todos os conhecidos, alguém confidente, alguém mais presente, alguém mais eu. Uma amiga que me veja com menos olhos acusadores, com menos manuais, menos cobrança, menos relatórios de desempenho. Amiga para ouvir os meus erros, amiga para enxugar as minhas lágrimas, amiga para me deixar descansar, quando eu só pedir isto. Amiga. É isto que me falta, é isto que me desejo, é isto que prometo pra mim. Ser mais amiga de mim.
Só me falta uma coisa no meu grupo de amigos, contar com a minha amizade pra mim, contar com a minha paciência pra mim, ser a cópia do que os meus amigos são pra mim incorporado no que eu sou, mas desta vez de eu pra mim. Só me falta um sorriso, um abrigo, um abraço meu, de eu para mim. Só me falta a compreensão, o colo, o conselho, mas principalmente, a cumplicidade, mas desta vez, de eu pra mim. A partir de hoje, mais amiga de mim.
Por Natália Oliveira