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sexta-feira, 16 de julho de 2010

À Dona dos Cachos Dourados

Você tem uma mania horrorosa de me olhar com olhos de lupa. Sempre me fazendo maior, mais competente, mais generosa, mais tudo de nada que sou. É uma mania insistente de potencializar qualquer momento bom em realmente muito bom. E claro que com bombom fica melhor ainda, porque você pode colá-los nos dentes e rir de todos os estereótipos de beleza que insistem em te convencer que o bonito é ser o tal do tipo ideal. Ah, com você não. O bonito para você se mede no tamanho do coração e isto ninguém pode ver e nem é uma lógica fácil de entender.
Na verdade, fácil de entender você nem sempre é. Ora ri com o estômago, ora chora com as tripas de fora. Intensa como a vida deve ser? Não sei, mas ser com você, já que é para ser, que seja direito! Você é!De pijama e tudo, no mar. De pés sem sapatos, de molequice em baixo do braço, de lordose e unhas roídas, mas de verdade! Com verdade transparente! Quem vê você, vê você. Frente e verso, fora e dentro dá no mesmo. E por falar nisto, injustiças fora, transformações dentro, assim é você.
Você de cabelos de criança, de olhos vivos e de um desejo meu. Se eu fosse mago a transformaria num cristal para apresentar para todo mundo um pedaço meu, o pedaço cristalino meu. Você não me explica, mas eu sei que é a sua doce essência que dilata os seus olhos quando olha o jeito meu. Você, minha amiga, minha parte, minha criança bonita. À minha Flávia, a menina de cachos dourados, a minha.

Por Natália Oliveira

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Amiga de Mim

Eu tenho amigos quarentões que se divertem com bolas de chiclete e comem coxas de frango com a mão. Às vezes tem as mesmas aflições que eu, às vezes queixas infantis, por mim superadas a tempo. Tenho amigos mais novos que me ensinam coisas que demorei anos para entender e que me trazem a maturidade esquecida em alguns cantos da sociedade. Tenho amigos com a mesma idade que não aparentam a idade, outros nascidos a pouco tempo que já mostram linhas de maturidade.
Eu tenho amigos que mais brigo, outros que mais brinco, outros que mais converso. Tenho amigos de conversas fúteis, outros de profundas e filosóficas e outros que são tudo, tudo que preciso e que dispenso. São completos. Alguns moram longe, mas mesmo assim os vejo com frequência, alguns de tão perto escapam dos horários, dos combinados. São amigos corridos, de horários, de tratos. São amigos que podem marcar e desmarcar quantas vezes precisarem, são suficiente amigos para isto, no final das contas a gente sempre entende. Aliás, às vezes sou eu que escapo.
Eu tenho percebido que tenho amigos de todos os tipos, é tanta variedade que nunca me falta um sorriso, um abrigo, um abraço. Mas ando em busca de alguém diferente de todos os conhecidos, alguém confidente, alguém mais presente, alguém mais eu. Uma amiga que me veja com menos olhos acusadores, com menos manuais, menos cobrança, menos relatórios de desempenho. Amiga para ouvir os meus erros, amiga para enxugar as minhas lágrimas, amiga para me deixar descansar, quando eu só pedir isto. Amiga. É isto que me falta, é isto que me desejo, é isto que prometo pra mim. Ser mais amiga de mim.
Só me falta uma coisa no meu grupo de amigos, contar com a minha amizade pra mim, contar com a minha paciência pra mim, ser a cópia do que os meus amigos são pra mim incorporado no que eu sou, mas desta vez de eu pra mim. Só me falta um sorriso, um abrigo, um abraço meu, de eu para mim. Só me falta a compreensão, o colo, o conselho, mas principalmente, a cumplicidade, mas desta vez, de eu pra mim. A partir de hoje, mais amiga de mim.
Por Natália Oliveira

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Sala de bate papo

Eu sempre chego cedo ao laboratório de informática da faculdade, também pudera, trabalho nela. Enquanto tô aqui, fazendo o que não me faz falta, tem gente em pé, esperando a vez. Isso me lembra algo!! Os tempos de internet da minha adolescência. A gente se amontoava em frente ao computador e, aos gritos, gargalhadas e mãos gélidas, conversávamos com os fotogênicos da net. “Esse é feio. Vamos conversar com outro”.
Era engraçado e transformador. Antes de entrar nos chats, combinávamos os nomes e os “eus”. E na primeira conversa éramos loiras e morenas de olhos claros com cabelos Liiiisos. Magras, surfistas, extrovertidas, resolvidas e maduras, beirando os 22. Ôia! [Risos]. Acha que pode? É não pode.
Algumas vezes passamos o telefone e, quando o fulaninho de lá, vinha com uns papos de beijo na boca, a gente logo dava jeito de desligar. E se ele pensasse que a ligação tinha caído e insistisse “manhêêêêêê”. [Risos].
Cada dia era um dia, uma foto, um perfil de “mulher”, mas teve um que virou o 1. Lembro até hoje do “Sem Nick”. Simpatizamos com o menino e só não marcamos um encontro pq. não achamos uma garota loira dos olhos claros, magra, atleta e meiga. [Risos]. Mas ligávamos para ele de vez em quando. Teve até um dia que simulamos uma viagem. Nos encontramos no meu quarto e... “ ‘Alô, Sem Nick’”.
O coitado do menino atendeu e a "paiaçada" começou. Batemos portas, derrubamos CDs, ligamos a televisão. Tava tudo muito agitado, sabe? Uma correria danada! "De onde veio essa ideia? Ah. Você já foi adolescente, vá! "E toda a papagaiada não foi suficiente, posicionei o telefone bem perto da boca e gritei: “cadê minha caaalça”, fiz um gesto para que a minha amiga viesse e ela gritou em resposta “eu pegueeeeeei”. Desconfio que isso não fez bem aos ouvidos dele. [Risos].
Adolescentes, adolescentes. E quando...Ops! 18h40. Preciso ir!
Até uma próxima!
Por Natália Oliveira