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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Medo de Escuro

E de repente, percebi que perdi o medo do escuro. De repente andei na rua, sozinha, sem companhia alguma. De repente esqueci que tinha medo dos boatos de assalto e me vi no ônibus mais de 11. De repente senti que tinha uma lanterna dentro de mim, algo pequeno impresso em minha alma mas que, contradizendo o tamanho, iluminava a coragem escondida por tanto tempo.
De repente descobri que podia ser sozinha na vez da lua e poderia encontrar o verdadeiro significado de estar viva, sendo livre. De repente descobri que apesar do medo, era melhor estar solto do que preso e que nem havia tanto medo, mais. Podia acelerar o passo, mas prefiri contar com a ideia de que trabalho não tem cara nem lugar, a maldade também não. Eles podem ser convenientes em qualquer hora e numa delas posso estar, na hora do sol ou das estrelas.
Por isto não cabe tantas fugas assim. Fugir é escapar da vida e, mesmo que não seja esta minha morada eterna, não quero construir muros entre eu e o mundo.
Sei que de tudo, a sua luz eternizou a mais bonita forma de viver em mim e hoje eu posso voltar a ver a lua de perto, da rua.
Ao meu eterno sol,
Por Natália Oliveira