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segunda-feira, 31 de maio de 2010

"Nós não somos homens e mulheres viajando por um deserto sem água, nós somos homens e mulheres viajando por uma fonte de água doce e estamos morrendo de sede." Ricardo Gondim.

Por Natália Oliveira

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ainda Mais de Você

Tenho me divertido com seu jeito de achar saudade em tudo. Até no que não viveu. Mal sabe como era dura aquela época, ditadura, censura, violência. E eu já te falei que hoje você pode ouvir boas músicas e dizer o que pensa sem pagar o preço pela escolha, mas você insiste que gostaria. Fala que sentiria na veia o gosto de quem não passa em branco pela vida.
E mesmo quando digo que sua liberdade de pensar teria consequências, você me diz que adoraria ouvir a batida dos corações parceiros ao pintar o rosto de verde e amarelo. Fala que trocaria suas bonecas por um tempo, por uma faixa e um xarope para garganta.
E os seus conselhos? Não canso de te perguntar de onde tira. Afinal, mesmo que quisesse, não experimentou uma vida inteira, então como tem resposta e jeito para tudo? Você me faz rir, sabia? Às vezes parece ser dona do mundo, da verdade e mesmo quando compra sonhos malucos sempre vende sem esforço, a preços baixos, mas com juros que transformam.
E quando vejo em você alguns pedaços da criança que foi me ponho a pensar. "Sorte daqueles que conheceram sua banguela." Contemplaram um sorriso ainda mais alto, vazado pela falta de dentes. E imagino o quanto era gostoso ouvi-lo, porque te rendeu um apelido, né? Sorriso. Ter apelido assim é bem bonito.
Eu só sei que tenho gostado ainda mais de você. Tenho gostado mais do que gostei, quando pensei que gostava demais. Gostado de olhar para você e ver como você gosta ainda mais de você.
Natália Oliveira

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Amar não Basta

Diga que me ama e prove isto. Diga que me ama e me leve para jantar, para ver o mar, para comer o que eu gosto e fique comigo vendo a hora passar. Me traga chocolates e me chame de linda até eu me cansar. Coloque nossa foto em sua carteira, mostre a ela aos seus amigos e diga que eu sou a mulher da sua vida. Escolha a aliança mais bonita e embrulhe em papel de seda antes de me dar. Diga que me ama, que me quer, que me deseja, sim faça isto. Faça, mas não esqueça: se me amar apenas, não bastará.
Amor por amor é pouco. Amar para mim não basta, é preciso muito mais. É preciso que respeite o meu silêncio, o meu barulho, a minha ausência. Mesmo quando a minha ausência seja de corpo e desejo. Mesmo quando a minha ausência seja de mim e de você. É preciso que respeite. É preciso que respeite a minha solidão e o meu desejo por multidão. É preciso que respeite minha gargalhada alta, a minha compulsão por chocolate, o meu lado infantil e a minha falta de sensualidade. É preciso que me respeite.
Diga que me ama e prove isto.
Amor, amor de amor para mim tem que ser amor de amigo. Aquele que a gente sente porque conhece cada detalhe da vida do outro e mesmo assim ama sem fazer esforço. Por isto diga que me ama e prove isto. Respeite-me.
Por Natália Oliveira

sábado, 8 de agosto de 2009

De volta para mim

Acordei, não feliz por ser sábado. Um cansaço misturado a uma boa parcela de angústia e medo despertou comigo. Sem motivos aparentes e sem coragem para descobri-los, deixei minha casa para um dos compromissos combinados durante a semana.
O sol estava quente, o cigarro dos desconhecidos esfarrapados ao meu lado também. Passei por eles sem me atentar a dor que traziam na alma. O cinza e preto da calçada dançavam em meu olhar. O tom do chão se estendia para os prédios antigos, há algum tempo restaurados. Entrei em um deles.
A palestra não demorou para acabar e nem o meu ônibus para chegar. Aproveitei as revistas, recém-ganhadas e encurtei a viagem lendo-as. Matérias interessantes, Ruy Castro. Por um momento esqueci do meu coração que batia apertado, dos meus olhos ansiosos para ficarem marejados. Meu ponto.
Abri a porta de casa com um desejo incontrolável de deixar tudo que me sufocava do outro lado. Não deu. Atravessei a porta de novo e afundei o botão térreo. Segui a um esconderijo gramado, cheio de forma, que deixaram nascer em meio aos prédios e concreto, daqui. Ali, naquela terra marrom, de verde e rosa, só tinha eu.
Deitei. O céu estava azul claro e eu podia sentir a temperatura do amarelo em meus braços. O som dos pássaros enchiam os meus ouvidos e em minha companhia conversei com eles. Com os joelhos flexionados, mexi os dedos e senti leves cócegas. Um latido sereno, de longe, se mostrava presente. Naquele momento, a natureza me dizia algo.
Me senti à vontade para olhar para mim. Tantas dúvidas, angústias e medos. A cada contato com o meu "eu" um pequeno desespero. Em meio a tantas perguntas sem respostas, um olhar para a pintura sem moldura. Diante de tudo aquilo, nada fazia muito sentido.
Sentei. Alcancei pequenas pedrinhas, que repousavam em minha volta. Fechei os olhos e desejei a presença doce e serena do pintor daquele quadro. Senti que era a hora. Um a um, joguei todas aqueles pedaços brancos. Cada lançamento, um pensamento. Minhas mãos ficaram vazias, meu coração também.
Com uma leveza singular, sai dali. Me encontrei minutos depois numa, das dezenas, piscinas infantis que tem por aqui. Molhei os pés, as canelas. Deixei a água lavar as minhas expectativas, os meus desejos sem fundamento. Deixei ela levar embora todas os meus sonhos alheios, deixei.
Atravessei o portão de ferro. Uma vontade enorme de rir tomou conta dos meus lábios. A alegria brincava comigo e não me deixava enxergar a roupa levemente, suja e molhada. Voltei para casa tempos depois, amiga do universo. Satisfeita. Diante da imensidão, nada faz muito sentido.
Por Natália Oliveira

domingo, 14 de junho de 2009

Par de Páginas

Literatura para mim é assim. Causa e efeito!Doses incertas de batidas no peito. É tremedeira sem frio, suor sem calor. São os olhos confusos de quem olha e úmidos de quem lê. É a verdade na palma da mão, é mágoa, é alegria no fundo do coração.
Nunca entendi rostos pálidos e sem cor diante de livros, já que para mim eles sempre foram mistérios sem fim. Tesouros a serem descobertos nas prateleiras das salas e bibliotecas de um lugar ou qualquer afim.
Minha mãe diz que sou forte e, até um pouquinho pesada, sou assim pq. além de feijão e arroz devorei livros. De todos os tipos e gostos. Uma vitamina de diversidades que sempre me agradou e me alimentou até os dias de hoje.
Nunca fui culta e lendo-os nunca pretendi ser. Se um dia for, chamem de conseqüência, mera conseqüência. Como quando criança, nunca tomei vitaminas de frutas por serem ricas em B12 ou em “C’s”, mas por deixarem a minha boca com gosto de frutas. Assim foi com os livros.

Se pudesse embrulharia vários deles em cápsulas secretas e engoliria todas de uma vez, só para sentir a causa e o efeito, só para sentir as batidas no peito. E mesmo que algum livro parasse meu peito, eu ainda os amaria como o meu par perfeito. Meu prefeito. Ele dita minhas leis.
Por Natália Oliveira