Por mais convicta e ideológica que eu seja, é vital para minha existência um espaço para a dúvida. Preciso – e precisar é além de desejar – deixar um “ou não” caminhar bem do ladinho da certeza absoluta. Dou o meu melhor no que me proponho, mas não me iludo, eu posso renunciar ao meu melhor sonho a qualquer momento por puro prazer de escolher de novo.
Sou capaz de fazer escolhas e defendê-las até a esquina da mudança de ideia, de plano. Por mais decidida e consciente das minhas decisões, não deixo o alimento do meu lado incerto faltar. Ele me ajuda a saber que os ultimatos são perigosos e que devo manter a distância necessária para não me envenenar. Vida é movimento, dizem por ai, e é nele que eu me esbaldo.
Não sufoco as ideias dos meus milhares jeitos e nem repreendo suas vozes, suas existências são tão necessárias quanto o ar. Eles tão vivos em um dos meus lados insistem em abrir a porta do caminho ainda não explorado. Nem sempre sigo suas trilhas, mas a calma inunda só de saber que a qualquer momento posso voltar. E eu volto porque não sou uma, sou muitas e todas querem me trilhar. Não levo jeito para viver amarguras só por medo de olhar para atrás. Eu vou e volto, subo e desço, giro, me transformo, me encaixo e entro para sair e saio para entrar. Tudo para ver de qual maneira é a minha, é a melhor, é a que vai me agradar. É vital.
Por Natália Oliveira
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Vital
Por mais convicta e ideológica que eu seja, é vital para minha existência um espaço para a dúvida. Preciso – e precisar é além de desejar – deixar um “ou não” caminhar bem do ladinho da certeza absoluta. Dou o meu melhor no que me proponho, mas não me iludo, eu posso renunciar ao meu melhor sonho a qualquer momento por puro prazer de escolher de novo.
Sou capaz de fazer escolhas e defendê-las até a esquina da mudança de ideia, de plano. Por mais decidida e consciente das minhas decisões, não deixo o alimento do meu lado incerto faltar. Ele me ajuda a saber que os ultimatos são perigosos e que devo manter a distância necessária para não me envenenar. Vida é movimento, dizem por ai, e é nele que eu me esbaldo.
Não sufoco as ideias dos meus milhares jeitos e nem repreendo suas vozes, suas existências são tão necessárias quanto o ar. Eles tão vivos em um dos meus lados insistem em abrir a porta do caminho ainda não explorado. Nem sempre sigo suas trilhas, mas a calma inunda só de saber que a qualquer momento posso voltar. E eu volto porque não sou uma, sou muitas e todas querem me trilhar. Não levo jeito para viver amarguras só por medo de olhar para atrás. Eu vou e volto, subo e desço, giro, me transformo, me encaixo e entro para sair e saio para entrar. Tudo para ver de qual maneira é a minha, é a melhor, é a que vai me agradar. É vital.
Por Natália Oliveira
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Ainda Mais de Você
Tenho me divertido com seu jeito de achar saudade em tudo. Até no que não viveu. Mal sabe como era dura aquela época, ditadura, censura, violência. E eu já te falei que hoje você pode ouvir boas músicas e dizer o que pensa sem pagar o preço pela escolha, mas você insiste que gostaria. Fala que sentiria na veia o gosto de quem não passa em branco pela vida.
E mesmo quando digo que sua liberdade de pensar teria consequências, você me diz que adoraria ouvir a batida dos corações parceiros ao pintar o rosto de verde e amarelo. Fala que trocaria suas bonecas por um tempo, por uma faixa e um xarope para garganta.
E os seus conselhos? Não canso de te perguntar de onde tira. Afinal, mesmo que quisesse, não experimentou uma vida inteira, então como tem resposta e jeito para tudo? Você me faz rir, sabia? Às vezes parece ser dona do mundo, da verdade e mesmo quando compra sonhos malucos sempre vende sem esforço, a preços baixos, mas com juros que transformam.
E quando vejo em você alguns pedaços da criança que foi me ponho a pensar. "Sorte daqueles que conheceram sua banguela." Contemplaram um sorriso ainda mais alto, vazado pela falta de dentes. E imagino o quanto era gostoso ouvi-lo, porque te rendeu um apelido, né? Sorriso. Ter apelido assim é bem bonito.
Eu só sei que tenho gostado ainda mais de você. Tenho gostado mais do que gostei, quando pensei que gostava demais. Gostado de olhar para você e ver como você gosta ainda mais de você.
Natália Oliveira
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