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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ou não

Foi uma coincidência incrível. Minha mãe me pegou pelo braço e disse “Naty, veja se consegue baixar Mãos Talentosas, o pastor Ricardo disse que é ótimo”. Era domingo, na igreja, ela falava aos cochichos. No dia seguinte uma amiga, o pequeno Sol já mencionado aqui, me mandou e-mail sobre a mesma coisa: “precisamos combinar de ver Mãos Talentosas, é lindo, lembrei de você”. Hoje vejo pela segunda vez a história de Benjamin Carson.

Não sei fazer críticas de filme, mas está tudo tão aos montes aqui dentro que as impressões estão pulando no teclado. Carson nasceu em lar pobre, filho de pai ausente e mãe analfabeta. Na escola somava notas ruins e sofria constantes gozações de outros alunos, algumas vezes resolvidas com agressões. Discriminado por ser negro, não via potencial em nada que fazia.

O que de bom poderia vir de Carson? Ter nascido em solo estrangeiro não impede de enxergarmos o destino. Temos exemplos todos os dias, nos faróis, nas calçadas, nos noticiários. Quando viram documentários, o acesso de compaixão vem certeiro. O que esperar de alguém que sofreu tanto? Revolta, claro. Uma mínima reação a tudo de ruim que aconteceu. Ou não. O ou não é fascinante.

O ou não une dois extremos: a dúvida e a certeza. A dúvida dos ultimatos e a certeza de que se pode ir bem mais além do estipulado, é só trabalhar duro e não conhecer o limite.

Por Natália Oliveira