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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Eu Ela Meu

Ela olha o colar e só. É o suficiente para uma sensação boa invadir o peito. O colar no peito alheio invade o seu coração. Coração de criança emocionado ao lembrar dos tempos de escola. Uma flor colorida de lã ou crochê, amarela e azul. Flor pendurada por bolinhas lembrando douradas, muitas, colar comprido, flor baixa.
Ela olha, de repente. A mulher no balcão ao lado, o vidro separa o que é eu do que é ela. Ela nem olha na verdade, conversa com outra. Ela eu que olha. E olha por que quer algo para ver, mas de repente encontra uma florzinha de lã ou crochê, amarela e azul. Nem sabe porque, mas ali tem escola.
E se tem escola tem paz que invade o peito do coração alheio. Alheio meu, ao menos. Alheio eu ela meu. Uma florzinha de lã ou crochê no preto da blusa dela, nos castanhos dos olhos meus rouba tudo e devolve a paz de tempos que um dia foram meus. Eu ela meu. Ela o olha o colar e só eu. E quando pensa em perceber, some com tudo que era meu. Onde está o eu ela meu?
Por Natália Oliveira