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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Buraquinhos

Não foi estampado nas páginas dos jornais e nem pautou uma coletiva, mas foi uma descoberta cientifica e valiosa. Foi algo que percebi depois de anos vividos, momentos passados, dias inteiros mal compreendidos, foi algo que encontrei num momento sozinha, pensando comigo.
Posso contar a você se jurar não falar a alguém que tem um amigo que tem um amigo. Posso contar se não deixarem publicar ou discutirem em estudos de universidades ou motivar conversas entre velhinhos de asilos. Promete?
É que...Promete? É que...Olha lá em? É que meu coração tem buraquinhos. Pronto, falei. Muitos deles. Tantos que tudo que eu sinto vaza. Todos os sentimentos que me invadem espalham. Os buraquinhos não deixam o coração guardar tudo e tudo que eu sinto minhas mãos, meus olhos, minhas pernas e até minha barriga sentem também.
Eu não posso ver um amigo querido, um livro bem escrito, uma lembrança inesperada, um sonho acompanhado, que o meu coração bate forte e vaza. Ele não consegue guardar tudo e logo minhas mãos tremem, os olhos marejam, as pernas bambeiam e a barriga aperta. Tem muitos buraquinhos esse meu coração! Pronto, falei.
Agora cumpre sua promessa e não conta pra ninguém. Pq. se falar a alguém que tem um amigo que tem um amigo, alguém pode querer me pegar para operar e eu quero continuar com os buraquinhos, quero continuar sentido o que meu coração sente em todos os cantinhos, em tudo de mim.
Por Natália Oliveira