Sofria. Não levava o menor jeito com números e, por sacanagem ou falta de sorte, sempre era escolhida para fazer os exercícios na lousa. Sem ter a menor ideia por onde começar, inventava uma lógica, sempre sem pé nem cabeça, e com as mãos suadas de nervoso rabiscava no quadro. “Claro que estava errado”, ela se alterava. Eu disfarçava como podia o constrangimento, enquanto as maçãs do rosto inflamavam. Ao final de cada aula, ela sempre deixava lição de casa. Com as fórmulas, sentava no chão do meu quarto, apoiava o caderno na cama e nos embalos de colheradas de Nescau tentava resolver os problemas, sempre sem sucesso.
Naquele dia, sabia que não tinha feito os cálculos e que provavelmente seria chamada para resolvê-los. Aproveitei a troca de professores, peguei minha mochila e corri pelo corredor afora. Tinha cinco minutos para resolver o que faria com a minha liberdade. Desci os vários lances de escada e segui para o portão que separava o pátio, da rua. Trancado! Analisei o muro. Não era alto, mas tinha cerca e se eu ficasse enganchada lá? E se chamassem a professora de matemática para me tirar? Quantos exercícios eu teria que fazer
para...despertei. Precisava me esconder, antes que alguém me encontrasse!!!
Corri até o banheiro próximo. Entrei rápido, me enfiei em uma das cabines, tranquei a porta, fiquei em pé no vaso e, logo em seguida, me encolhi inteira. Minhas costas encharcavam a camiseta. Cabulava. No auge dos meus 10 anos, eu finalmente cabulava. Era simplesmente genial, tinha escapado de todo mundo e agora cabulava! Independência ou morte! Revolução! Eu era muito evoluída, pensava. Cinco minutos depois na mesma posição, deixei o banheiro com câimbras, lamentei a ideia e pedi para entrar na aula.
para...despertei. Precisava me esconder, antes que alguém me encontrasse!!!
Corri até o banheiro próximo. Entrei rápido, me enfiei em uma das cabines, tranquei a porta, fiquei em pé no vaso e, logo em seguida, me encolhi inteira. Minhas costas encharcavam a camiseta. Cabulava. No auge dos meus 10 anos, eu finalmente cabulava. Era simplesmente genial, tinha escapado de todo mundo e agora cabulava! Independência ou morte! Revolução! Eu era muito evoluída, pensava. Cinco minutos depois na mesma posição, deixei o banheiro com câimbras, lamentei a ideia e pedi para entrar na aula.
Por Natália Oliveira